Quem é Quem
Blair Trewin

Blair Trewin, M35, AUS


Como descobriu a orientação? Lembra-se das suas primeiras provas? Que mais lhe agradou neste desporto?
Penso que a melhor parte desses tempos foi a de encontrar novos desafios e ser capaz de os ultrapassar. Vim parar à orientação depois de ser um desastre nos outros desportos que pratiquei (no futebol a minha técnica não era boa - e continua a não ser...), por isso foi excelente encontrar algo em que eu era bom e conseguia melhorar com o treino. Desde jovem quis saber do que eu era capaz em competição com atletas mais experientes, principalmente em eventos locais. Corri a minha primeira competição de Elite quando tinha apenas 15 anos. Só corri o JWOC nos meus últimos anos de júnior, por isso essa competição não estava na minha cabeça como está presente nos jovens da actualidade.

De 1983 a 1988, liderou sempre as classes de competição jovens dos campeonatos australianos. Quais as suas melhores recordações desses tempos?
Penso que a minha melhor recordação desses anos é a semana do Campeonato Australiano de 1986, no Sul da Austrália. Começámos em Flinders Ranges (área do WMOC 2002) e num dos eventos iniciais da semana venci o grupo que era um ano mais velho que eu pela primeira vez numa corrida importante. Quatro dias mais tarde, voltei a ganhar. (Curiosamente, voltei a Flinders Ranges em 2007 e corri novamente o mesmo percurso de 1986 e fui bem mais rápido em 2007, mesmo considerando que os meus tempos de corrida em 10kms são agora similares aos tempos que fazia em 1986). Actualmente na Austrália temos equipas juniores muito bem trabalhadas e campeonatos escolares muito competitivos para equipas estaduais. Nada disso existia nos anos 80. Por isso, para além do pessoal da minha terra (Camberra na altura) e mais alguns, não conhecia bem o nível dos outros jovens australianos até ao meu primeiro JWOC em 1991.

Em 1990, nos Campeonatos Australianos, ganhou o H20. E de 1992 a 2005 competiu na Elite, tendo como melhor resultado o 2º lugar obtido em 1998. Estranha-se que, depois de tantas vitórias como jovem, nunca tenha vencido como sénior. Há alguma razão para isso?
Ultimamente, eu não era suficientemente rápido para vencer corridas de Elite. Como júnior, o meu escalão era fraco para os padrões australianos. No escalão mais novo apareceram atletas melhores, com o Grant Bluett a ser o mais conhecido internacionalmente. Quando o Grant se tornou mais competitivo, eu estava a terminar nos juniores. Como sénior fui consistente (estive no top5 por 8 vezes, sendo a mais recente em 2006, mas houve sempre alguém mais rápido que eu.

Durante a carreira de Elite, quais foram os seus melhores resultados internacionais?
Corri o WOC em 1995 na Alemanha, falhando a Final por muito pouco e estive sempre no limite entre a entrada e a saída da equipa australiana entre 1992 e 2000, correndo muitas provas da Taça do Mundo. Acho que nunca fiz justiça a mim próprio numa prova internacional. Penso que, em parte, isso se ficou a dever ao facto de a minha navegação assentar sobretudo na leitura do mapa e compreensão do relevo e ser fraco a utilizar a bússola. Isto é vantajoso para mim na Austrália, onde o relevo é sempre bem definido e a visibilidade é normalmente boa, mas em zonas planas da Finlândia ou da Suécia as coisas complicavam-se para mim. Quando aprendi a navegar nesse terreno já não conseguia correr muito rápido. O meu melhor resultado foi um 36º lugar numa prova da Taça do Mundo na Austrália em 2000. Provavelmente, a minha melhor prova internacional foi o 29º lugar nos Campeonatos Mundiais Universitários em 1994. Antes do WOC passar a ser anual, o Mundial Universitário tinha muito impacto e os principais países enviavam sempre as suas formações mais fortes para esta competição.

Lembra-se de alguma corrida mais especial?
Mais recentemente a minha prioridade tem sido participar em eventos em zonas interessantes.
Provavelmente o mais interessante foram os Campeonatos Ásia/Pacífico no Kazaquistão em 2004. Correu bem e fui 2º na Distância Longa. Foi um país bonito para fazer orientação, possivelmente o mais interessante em que já estive até hoje. Também me parece que nunca lá teria ido se não fosse a orientação. Mas o mais memorável evento de orientação em que participei foi talvez uma prova da Taça do Mundo na Suíça em 1996. Era uma partida em massa com muitos "loops", e ficou famosa por ser aquela em que a ponte entre o 200 e a chegada foi completamente inundada por uma tempestade quando ainda faltavam terminar 30 atletas. Também me lembro bem dela porque, perto do fim, eu ia num grupo de 12 atletas a lutar pela 57ª posição e pareceu-me que era o único que ia realmente a ler o mapa. Também me pareceu que iria perder para quase todos no sprint, por isso tentei confundi-los dirigindo-me de propósito para um controle errado. E 8 dos 12 do grupo ou foram desclassificados ou ficaram suficientemente confusos para se atrasarem...

Em 2006 fez um Verão de orientação na Europa. Correu, pelo menos, o WMOC na Áustria (22º em H35) e dois eventos na Finlândia: Fin5 e as estafetas Jukola...
Foi um Verão realmente interessante: Jukola, WMOC, Fin5 e o evento para espectadores no WOC da Dinamarca (e ainda duas conferências sobre o meu trabalho - sou um cientista especializado em pesquisas sobre as alterações climáticas). A melhor recordação foi, naturalmente, estar presente para ver ao vivo a Hanny Allston ganhar para a Austrália a primeira medalha de ouro da sua história num WOC... Não há palavras para descrever o momento em que percebemos que a Simone Luder estava a mais de 20 segundos da chegada e só tinha 14 segundos para ganhar à Hanny Allston... Esse ano de 2006 foi a primeira vez em que corri no Jukola (planeio correr novamente em 2008). Foi uma experiência fantástica. Sabia como era grande o Jukola como evento de orientação, mas não imaginava o impacto que tinha como evento desportivo na Finlândia.

Qual a sua idade agora? Quais os seus planos para o futuro no que diz respeito à orientação?
Tenho 36 anos (faço 37 logo depois do WMOC). Ainda corro na Elite na Austrália e vou fazer corridas da Taça do Mundo na Noruega e na Suécia este ano (também vou fazer as provas de selecção para o WOC mas não tenho expectativas de conseguir entrar na equipa australiana). Na Austrália, temos uma competição entre os diferentes estados, e quero continuar a correr na Elite enquanto for útil para a minha equipa (Victoria), mas já não terei provavelmente muitos anos a um nível de topo. Mas planeio correr em veteranos por muito tempo...

A Austrália vai organizar o WMOC 2009. Está envolvido na organização?
Não vou estar directamente envolvido na Organização - está a ser preparada pela associação do Estado de Nova Gales do Sul (sediado em Sidney) - mas como responsável financeiro da Federação Australiana estarei envolvido em assuntos como a negociação contratual com os Jogos Mundiais de Veteranos. Eu fui o Director Técnico em 2002.

Pode revelar alguns detalhes sobre terrenos e centro de competição do WMOC'09?
O centro de competições em 2009 vai ser em Lithgow, cerca de 150km a oeste de Sidney, e parece-me que os organizadores estão a tentar preparar uma chegada no edifício da Ópera, que deverá ser interessante. As áreas da Distância Longa irão ser em terrenos de arenito, provavelmente parecidos com alguns da Rep. Checa. Nunca houve um evento internacional em terrenos deste tipo. Há muitos terrenos como este perto de Sidney, mas mais perto de Sidney a floresta é demasiado densa para ser agradável para correr. Lithgow é mais no interior e mais seca, e por isso a floresta é um pouco mais aberta. Vai ser muito físico mas também interessante.

O facto de o WMOC estar incluído nos Jogos Mundiais de Veteranos é uma vantagem ou desvantagem? (Ver a última pergunta na entrevista de Eddie Harwood nesta mesma secção.)
Parece-me que fazer parte dos Jogos Mundiais de Veteranos tem vantagens e desvantagens. Do ponto de vista de um organizador, torna-se frustrante ter que trabalhar com outra organização com as suas próprias prioridades, mas por outro lado é bom para a visibilidade da orientação. Somos actualmente a 2ª ou 3ª modalidade mais participada dos Jogos, o que só pode ser bom, e acho que nunca conseguíriamos fazer um Sprint no centro de Sidney se não fosse pelos Jogos. É uma longa viagem para os Europeus, mas irá valer a pena por uma experiência de orientação bem diferente do habitual, mesmo para os que vieram em 2002. Mas não percebo bem porque é que a Austrália continua a garantir organizações do WMOC...

A orientação atravessa um bom momento no seu país? Hanny Allston constitui um fenómeno isolado ou é resultado de um trabalho consistente?
Como os países pequenos, os nossos números de praticantes são baixos, por isso temos períodos fortes e períodos mais fracos. Hanny é definitivamente uma atleta excepcional - tão excepcional que não sei quanto tempo mais iremos tê-la a fazer orientação como primeira prioridade. Estou certamente a vê-la a correr a maratona olímpica em 2012 se continuar a treinar bem.

Que feitos podemos esperar dos atletas australianos no futuro próximo em competições internacionais?
Nos masculinos estamos num período mais fraco actualmente, mas temos dois jovens promissores, Julian Dent e Simon Uppill. O Julian pode chegar aos 20 primeiros no WOC se lhe correr bem. O Simon vai correr o seu primeiro WOC este ano. É tecnicamente o melhor atleta que já vi e a sua velocidade melhorou substancialmente nos últimos 2 anos, por isso vai fazer bons resultados, possivelmente não já este ano, mas daqui a 3 ou 4 anos. Hanny (que não vai ao WOC este ano) é a nossa estrela óbvia nos femininos. Não temos outras estrelas como ela mas temos um lote significativo com bom nível. Provavelmente 8 ou 9 das nossas atletas poderiam chegar a uma Final A num dia bom. E temos também um bom grupo de juniores femininas. Grace Elson e Jo Allison continuam a ser as nossas melhores, mas Kathryn Ewels melhorou muito este Verão e deverá ser tida em conta este ano.

As últimas perguntas são sobre a sua actividade profissional. É climatologista. Qual é o seu trabalho no Centro Nacional de Climatologia?
Eu trabalho principalmente a analisar os registos históricos, e a interpretar esses dados. O principal projecto em que estou a trabalhar actualmente é a desenvolver um registo mais eficaz dos ciclones tropicais (furacões) na região da Austrália para ter uma melhor ideia das perspectivas futuras. Também faço muito do trabalho de divulgação para os media, por isso o meu nome aparece regularmente em jornais australianos (e por vezes também de outros países), e faço parte de um grupo de peritos da Organização Mundial de Meteorologia, o que quer dizer que viajo muito actualmente. Por vezes consigo combinar a vida profissional com a orientação, corri um evento na Geórgia (EUA) em Janeiro, e vou correr um WRE na Bélgica em Maio, mesmo antes de uma reunião.

Está optimista quanto ao futuro do planeta? A falta de visão de alguns governos ainda pode ser travada para evitar os impactos do efeito de estufa?
Parece-me que teremos de ver grandes mudanças na nossa sociedade para fazer realmente alguma diferença nos impactos das mudanças climáticas actuais. E vai ser difícil encontrar vontade política para isso, porque mesmo com grandes cortes nas emissões de dióxido de carbono actuais, o período em que tal se reflectirá no clima será só na segunda metade do nosso século. Não me parece que os nossos sistemas políticos lidem bem com um problema de tão longo prazo. Do que precisamos é que um dos maiores países esteja preparado para dar um primeiro passo. Tenho esperança que isso possa acontecer com a mudança da Administração norte-americana do próximo ano.

Que catástrofes globais podemos esperar nas próximas décadas?
Podemos obviamente aguardar por uma subida das temperaturas nos próximos 50 a 100 anos, mas um problema tão sério como esse é a mudança a que estamos a assistir nos padrões de precipitação. Em algumas áreas do Sul da Austrália (e, pelo que sei, também em Portugal e Espanha), houve uma acentuada diminuição dos níveis de precipitação nos últimos anos e isso causa problemas reais para o abastecimento de água e para a agricultura.

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 6 Apr 2008. Tradução de Luís Santos.)


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[2008-06-18] Blair Trewin, M35, AUS

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[2008-02-08] Sole Nieminen, W80, FIN

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