Quem é Quem
Tuulikki Salmenkylä

Tuulikki Salmenkylä, W45, FIN


(Esta entrevista foi pedida a 28 de Outubro de 2007, mas inexplicavelmente chegou às nossas mãos, juntamente com a de Arvo Majoinen, a 13 de Junho de 2008, quando já tínhamos, há muito, estabelecido o calendário final de publicação. Decidimos incluí-la o mais rápido que nos foi possível. Diligências no sentido de obter em tempo útil uma foto de Tuulikki Salmenkylä não foram bem sucedidas. Decidimo-nos por uma imagem de nossa autoria obtida durante o WMOC de 2007 na Finlândia, registando o sprint para a meta de Erkki Luntamo (peitoral 5033), primeiro entrevistado desta rubrica e que é um dos ídolos de Tuulikki. Curiosamente, e como na altura assinalámos, Tuulikki encarregou-se da tradução da entrevista de Erkki, de finlandês para inglês. Considerando a falta de tempo motivada pelo atraso na chegada da entrevista, decidimos traduzir para português apenas as passagens que julgámos mais significativas. Versão integral em inglês.)

Os seus resultados em W40 foram muito consistentes de 2004 a 2006: 4ª em Itália, 11ª no Canadá e na Áustria. Curiosamente, no ano passado a correr em casa, teve um resultado menos bom: 41º. Que aconteceu?
Na verdade, não acho que os meus resultados tenham sido assim tão bons, comparados com a vitória em W35 na Nova Zelândia, em 2000. O que me prejudicou durante o meu tempo em W40 foi uma doença aborrecida que se manifestou logo a seguir ao WMOC em 2002 na Austrália e que, sem ser diagnosticada, me incomodou bastante durante 4 anos (Outubro 2002 - 2006). Foi finalmente diagnosticada em Outubro de 2006 e tem sido tratada desde então. No entanto, com algum sucesso só desde Julho de 2007. Sou uma epiléptica cujos ataques não ocorrem da forma usual, duram horas seguidas e representam uma tremenda fadiga física. Falando de outra forma, andava a correr uma maratona nocturna de quinze em quinze dias, o que talvez tornasse a fadiga física mais compreensível. Continuo obrigada a levar as coisas com calma, porque a medicação ainda não está a funcionar a 100%. Não aconteceu nada de especial na Final do ano passado. Cometi realmente um erro de aproximadamente um minuto, mas deveu-se à minha fraca condição física, que se começou a deteriorar em 2002 e me tem tornado mais lenta desde então. O meu ponto forte nas finais foi sempre uma orientação quase sem erros. Por isso fiquei muito desapontada com o erro que cometi.

Quais os destaques da sua carreira antes de 2004?
- 4 de Dezembro de 1993, quando a minha ortopedista de longa data, Sakari Orava, me disse que podia começar a correr outra vez depois de uma pausa de 8 anos. Em menos de meia hora estava lá fora a correr. (1985 foi a minha última época, em 1986 ainda voltei a tentar mas a dor no meu tornozelo era insuportável. Dois anos depois foi-me diagnosticada uma necrose grave e o prognóstico era que nunca mais voltaria a correr. Durante 8 anos de natação e trabalho de ginásio consegui, no entanto, reconstruir tecido ósseo suficiente e pude recomeçar com cuidado.) Nunca mais dei um passo sem dor desde então (ou desde Dezembro de 1985) mas também adorei cada passo que dei. A dor é apenas uma sensação física mas nunca poderá superar a sensação emocional que me dá correr pelos bosques.
- Em termos de sucesso, claro que a vitória no WMOC em 2000 na Nova Zelândia, que foi mais uma vez o resultado de uma orientação sem falhas e 3 meses de descanso físico por causa de problemas nas pernas.
- Os meus anos de topo terminaram num curto período de tempo e nunca alcancei nada de significativo. Mas claro que os anos de júnior e as vitórias nos campeonatos nacionais continuam como memórias de ouro e base para os sucessos futuros.

Quem são os seus heróis neste desporto?
Os meus pais (Juhani e Pirkko Salmenkylä) que inicialmente me ensinaram e nunca mais impuseram os seus conselhos. Também têm um percurso incomparável de sucessos na orientação e no basquetebol, a nível profissional e em contexto social e ainda conseguiram criar uma família com 4 filhos. Um casal de advogado-arquitecta que jogaram e arbitraram basquetebol, geriram as finanças do clube, partiram as ancas e os joelhos e reconstruíram-nos e nunca mais pararam de praticar orientação. Seria possível que a filha mais nova do casal não percebesse que a dor extrema, a fadiga e a criação de filhos não podem impedir a actividade física?
O terceiro herói incomparável é, claramente, Erkki Luntamo que é possivelmente o melhor exemplo para todos os atletas e não-atletas de orientação de que a vida merece bastante exercício físico.
Entre a nova geração, Oyvin Thon e Annichen Kringstad, que nos seus anos de topo e nos seus melhores desempenhos eram imbatíveis.

No último WOC, Paula Haapakoski, Heli Jukkola e Minna Kauppi venceram a medalha de ouro nas Estafetas. Conhece-as? Como viveu essa corrida e esse triunfo?
Foi a segunda vez consecutiva que venceram, por isso foi certamente um grande feito. No entanto, acho que o duplo ouro na corrida individual para Heli e Minna é de longe mais espectacular e será certamente mais difícil de bater ou repetir [fizeram na Distância Longa o mesmo tempo vitorioso de 1.20.17]. Não posso dizer que as conheço a nível pessoal. Mas o meu marido e eu já cozinhámos para eles e já os servimos, a eles, à equipa e patrocinadores, num jantar de celebração.

Quantos treinos técnicos e provas faz num mês?
No Verão faço orientação duas vezes por semana e corro mais umas vezes na floresta sempre que posso. De há alguns anos a esta parte só tenho podido correr em superficies macias, por isso só posso correr na floresta ou em "piste finlandaise". Nesta época não vou participar nos sprints que infelizmente vão ser feitos em macadame ou seixos arredondados mesmo em Portugal - uma grande pena.

Tem algum cuidado com o que come?
Não sou nada pretensiosa com a comida, a não ser que tem de ser deliciosa (facilmente dispenso uma refeição se não me souber bem) e acabada de fazer. Claro que o jantar tem de ser acompanhado de vinho. Prefiro sempre peixe fresco e raramente como carne de porco, mas sem regras restritivas. Estou desejosa de experimentar a comida do litoral à base de peixe que Portugal tem para oferecer.

Que mais lhe agrada na orientação?
A tranquilidade da natureza (excepto alguns javalis enormes na Hungria e uns "pitbulls" fora do normal deixados como guardas de acampamentos na Austrália - nunca imaginei que seria capaz de atravessar a correr tão depressa um matagal de arbustos cheios de picos) e a possibilidade de desafiarmos a nossa capacidade física sem comprometermos a orientação numa variedade de terrenos.

Qual a sua profissão e como coordena trabalho e desporto?
Por causa da epilepsia não trabalho desde meados de 2004. Em 2004 e 2005 estava numa péssima forma por causa dos ataques e da fadiga acumulada. E a recuperação ainda continua, mas confio que voltarei na melhor forma dentro de algum tempo. Antes geria a minha cooperativa de vinho que adquiri em 2002 e da qual já era gestora desde 2000. Longas horas, uma corrida eficiente e não descansar era o meu ritmo nos seis anos anteriores quando estive envolvida em diferentes negócios internacionais.

Quais os seus hobbies além da orientação?
Golfe, comida e vinho. Também costumava jogar basquetebol como júnior mas quando tinha 16 anos reparei que tinha deixado de crescer e por isso concentrei-me na orientação.

Quer sugerir um livro, um filme ou um disco?
Deixem-me pôr as "Quatro Estações" de Vivaldi para pensar melhor. Posso começar pelo rock, passando pelo jazz, acabando na música clássica e voltar. É uma questão de estado de espírito. Mas se tivesse de escolher uma música, seria certamente esta (...)

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 13 Jun 2008. Tradução de Susana Pedro e Paulo Pereiros.)


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[2008-06-16] Tuulikki Salmenkylä, W45, FIN

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[2008-03-24] Anne Nurmi, W45, FIN

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[2008-03-17] Alida Abola, W50, LAT

[2008-03-13] Matti Railimo, M60, FIN

[2008-03-10] Cornelia Eckardt, W35, GER

[2008-03-06] Joaquim Sousa, M35, POR

[2008-03-03] Birgitta Olsson, W75, SWE

[2008-02-20] J. Salmenkylä, M75, FIN

[2008-02-18] Torid Kvaal, W65, NOR

[2008-02-15] Mykola Bozhko, M55, UKR

[2008-02-13] Pavlina Brautigam, W45, USA

[2008-02-11] Ferran Santoyo, M35, ESP

[2008-02-08] Sole Nieminen, W80, FIN

[2008-02-06] Stefano Galletti, M40, ITA

[2008-02-04] Gillian Ingham, W50, NZL

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[2008-01-25] Eddie Harwood, M55, GBR

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[2008-01-21] Alexander Afonyushkin, M40, RUS

[2008-01-18] Paulina Majova, W55, SVK

[2008-01-16] Björn Linnersjö, M65, SWE

[2008-01-15] Lillian Røss, W85, NOR

[2008-01-10] Tapio Peippo, M55, FIN

[2008-01-07] Elizabeth Brown, W90, GBR

[2008-01-04] Erkki Luntamo, M90, FIN

 
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